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LOUCO SERÃO

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Regime cambial fortalece kwanza




A aplicação do novo regime cambial, em vigor desde meados deste ano, tem contribuído para fortalecer o kwanza e reduzir o fluxo do dólar na economia. O novo regime estabelece que a liquidação de bens e serviços fornecidos por entidades residentes a empresas do sector petrolífero deve ser efectuada por intermédio de contas em moeda nacional.

A afirmação foi feita pelo economista George Leão Peres, no Fórum Angola-Brasil, numa análise que teve como base os últimos indicadores do mercado cambial.

“No passado, as pessoas tinham de deixar compulsivamente no banco cerca de 95 por cento dos seus bens e quando se fazia a troca só recebiam em numerário cinco por cento. Isso abalou as pessoas e os resquícios ainda se evidenciam”, lembrou Leão Peres no Fórum Angola-Brasil alusivo à semana do país sul-americano, assinalada a 7 deste mês.

Para Leão Peres, o novo regime cambial para as petrolíferas vai, sem dúvida, contribuir para a desdolarização da economia. Se antes as divisas ficavam domiciliadas nos bancos estrangeiros, hoje ficam nos bancos domésticos, o que representa uma vantagem para a economia nacional. Mas o economista brasileiro Jorge Luís de Carvalho diz não ser bem assim, pois, apesar de os depósitos estarem domiciliados na banca doméstica, “não vai ser possível operar com o dinheiro durante muito tempo, uma vez que o depósito vai entrar para pagar o imposto e vai sair pouco tempo depois”.

O economista brasileiro disse que o depósito de tributo, que ocorre na banca nacional, é, efectivamente, a desdolarização, e diz que todo esse processo vai ter implicações no mercado informal, na medida em que todo o volume que circulava inicialmente nele, vai agora para os bancos, que devem receber vários tipos de depósitos por força do novo regime cambial.

“O que vai acontecer no mercado informal é a redução de oferta de divisas e um consequente aumento da procura, influenciado também pela nova restrição imposta pelo aviso 20/2012 do BNA, que limita o montante de dólar a comprar nas casas de câmbio”, disse.

O especialista prevê um aumento da oferta de dólares mas o que não sabe é se vai ser suficiente para valorizar o Kwanza.

“O grande ganho no processo, além do ajuste fiscal, é que os bancos vão ganhar mais comissões com as transferências”, disse Jorge Luís Carvalho, para quem a única desdolarização é a que ocorre da parte das contas do Governo. Se as pessoas, avisou, perceberem que, no futuro, a desdolarização vai implicar abandono dos depósitos em dólar, vai ser um problema maior. “Acho que devíamos deixar que o mercado desse o veredicto sobre esse processo”, concluiu o economista brasileiro.

Medidas operacionais

A par do novo regime cambial, Leão Peres agrega o facto de o BNA ter adoptado medidas operacionais e fiscais que permitiram a redução, no ano passado, do nível de inflação para um dígito. O país registou um crescimento económico na ordem de 7,4 por cento e as suas reservas internacionais líquidas estão situadas na ordem dos 32 mil milhões de dólares. “Em Angola, existem algumas medidas de natureza operacional que ajudam a diminuir o fenómeno da dolarização. Todos estes factores, associados, contribuem para o controlo da inflação, uma das causas da dolarização”, referiu.

Se antes era comum os bancos concederem crédito em moeda estrangeira para o consumo, o que cria perigo à economia nacional, hoje tal não acontece, de acordo com o também administrador do BCI. “Quer a valorização quer a desvalorização excessiva da moeda na economia têm efeitos perversos. O necessário é que haja equilíbrio na taxa de câmbio e na taxa de inflação”, realçou.

Para o economista brasileiro Jorge Luís Carvalho, a verdadeira desdolarização consiste em retirar parte da receita do Executivo em dólares e transformar em Kwanza (kwanzarização), um processo que encontra também suporte no novo regime cambial, que está a ser desenvolvido desde Maio de 2012. O instrumento legal obriga as petrolíferas a depositar os dólares nos bancos domésticos. “Durante muito tempo, dos dólares que circulavam no mercado, só alguma parte chegava aos bancos. Essa tendência vai mudar”, prevê o espcialista.

Dolarização em Angola

O economista Leão Peres disse que em Angola a dolarização é de facto e não de direito, dado que não é oficial, nem existe um diploma legal que institucionalize o dólar como moeda nacional.

Jorge Luís de Carvalho questiona a razão do preconceito em usar o dólar e explica que a grande responsável por tudo isso foi a América Latina, que durante a década de 80 abusou da dolarização como âncora cambial, numa tentativa de travar a inflação.

O especialista conta que a gota de água veio da Argentina, onde o processo de dolarização foi um desastre. “A Argentina garantia depósitos em dólar, só que os bancários locais, preocupados com a instabilidade política do país, não souberam gerir a situação. Quando as pessoas foram movimentar os dólares já não havia e foi um desastre”, recordou o economista.

“Existem sociedades que ditam uma sentença ao dólar como se fosse mau”, afirmou Jorge Luís Carvalho, formado na Universidade de Chicago.

O economista disse ser bom contar com várias moedas. “Escolher entre uma e outra moeda é sempre melhor, pois pode-se ter a que mais nos protege da irresponsabilidade dos respectivos emissores.

O dólar é apenas uma moeda conversível que substitui a doméstica por total falha em prestar as suas funções”, justificou a sua posição.
 
 
 
Fonte:JA