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LOUCO SERÃO

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O mais querido e......

Matias Damasio Vence Top dos Mais Queridos da Rádio Nacional de Angola



A sua adopção como moeda oficial de compra e venda, pelo Conselho da Revolução (1976), relançou o processo de troca de mercadorias, feito anteriormente, no país, através da Libanga, Macuta, do Zimbo, sal, cobre, panos ou marfim.Kwanza é a designação oficial de uma histórica moeda, que há dezenas de décadas alavanca as transações comerciais em Angola. Instrumento estratégico de troca, surgiu no final da época colonial, restruturando um mercado até então inconstante, em termos de definição de produtos para dimanizar as permutas. 


O Kwanza foi oficializado ao abrigo da Lei da Moeda Nacional, em cumprimento do disposto nos artigos 8.º e 30.º da Lei Constitucional, em 1976. Actualmente, o seu contexto histórico inspira agentes de vários ramos do saber.

O Kwanza é hoje fonte de inspiração para compositores de "mão cheia", como Matias Damásio, cujas letras assentam na exaltação do patriotismo, valorização da tradição, do amor e no resgate dos valores morais.

Foi com a história desta moeda, com tradição e impacto no mercado financeiro angolano, que o músico convenceu o país e, ao cabo de um ano de glórias, venceu pela segunda vez o Top dos Mais Queridos (2007-2013).

"Kwanza Burro" é o título de uma canção que "furou" as rádios e discotecas do país, deixando nos ouvintes a marca da saudade de um produto comercial que vem de longe.

Por altura da oficialização da moeda, o autor pouco sabia sobre o futuro do país, sobretudo os rumos da economia.

Apesar disso, conheceu ainda os efeitos e a importância do Kwanza sobre um povo que, há vários séculos, busca o progresso.

"Mergulhado" neste contexto sócio-político, Damásio aguçou a sua veia compositora e, com patriotismo e espírito interventivo, trouxe ao "ouvido colectivo" marcas de valores culturais que tendem a desaparecer. 

Nesta inspiradora crítica social, o autor de "Mboa Ana" fala da necessidade de o povo valorizar a moeda nacional, como ocorrera nas primeiras décadas do pós-independência.

Este sentimento e preocupação reflecte-se em várias estrofes da vitoriosa canção.

"No tempo do Kwanza Burro, Gasparito não era ambi, se comprava na loja do povo e o povo comia, se comprava na loja do povo e o povo comia", escreve, numa alusão à força e importância da moeda nacional.

O artista socorre-se ao passado do Kwanza, para alertar a Nação sobre alguns desvios sócio-culturais e o surgimento de hábitos até então alheios à ancestralidade africana.

Num discurso comparativo e contextual, inspirado no Kwanza, Matias Damásio alerta o povo para a necessidade de voltar no tempo e rebuscar as raízes.

Com "Kwanza Burro", lança um claro convite para a sociedade globalizada reflectir sobre os novos valores sociais, por forma a manter-se a identidade pre bantu e bantu.

"No tempo do Kwanza Burro, alambamento era tradição, garrafão de vinho na mão e na carta 50 cimbeu. Hoje o Kwanza ficou esperto, mamaué, mamaué, agora na carta de pedido é mbora dólar, vamos parar aonde?", questiona.

Fala também do amor puro e desinteressado, da quase nula dependência da sociedade ao dólar, da verdadeira essência do ritual de alambamento, além do respeito pelos mais velhos e de outros valores morais.

"No tempo do Kwanza do Burro, mais velho é quem tinha mais idade. Hoje é quem tem mbora kumbu, jabaculé, o famoso papel. Kandengues de 20 anos dando bregedje em kotas de 40, é só na mangole, é só na mangole", critica.

Como disse o próprio autor à imprensa, no final da gala de coroação do Top dos Mais Queridos, "a música é um alerta para a recuperação dos valores morais daquele tempo, que hoje muitas pessoas estão a perder", sobretudo os jovens.

Os alertas são facilmente notados em cada estrofe da canção, na qual desencoraja o egoísmo e oportunismo, sobretudo para os povos que mantêm vivo o espírito do alembamento.

"Agora na carta de pedido estão a pedir muitas coisas. Sapato sola seca, carrada de área, televisor de 70 polegadas, panos de congo, cerveja importada, se é nacional é mbora ancorado (…)", repudia o músico. 
 


Fonte: ANGOP