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LOUCO SERÃO

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A Cantora Angolana Yola Semedo fala do seu futuro artístico




A cantora angolana Yola Semedo, uma das vozes femininas mais representativas do mercado musical, fala, em entrevista exclusiva à Angop, do seu futuro artístico, da família, entre outros assuntos.



Angop: Que projectos tem preparados a curto-médio prazo?
Yola Semedo (YS): Para os próximos anos estou a preparar o meu disco, que já tem título, mas será ainda segredo até o anúncio do lançamento e de estar tudo delineado, em termos de data de produção, aí a Angop será a primeira a saber e divulgar. A equipa que está a trabalhar no projecto é a mesma, como se diz, em equipa que ganha não se mexe, então não vamos mudar os que têm trabalhado comigo.
Como produtor musical conto com a participação do Nelo Paím, que tem sido um amigo e mentor, por ter uma experiência vasta nas lides musicais. E como já resolvemos que vamos andar um pouco pelo Mundo a explorar outras culturas, juntando o que ganhamos com o disco “Minha Alma” e de outros trabalhos que fizemos juntos, para fazermos algo diferente, mas tudo em prol do melhoramento do trabalho.
Angop: Porquê a música e não outra arte ou profissão?
YS: A música é basicamente a minha vida. Eu cresci no seio de uma família que está muito ligada à música, é uma tradição, é um legado familiar, e não tem como não cantar. A música dignifica a minha pessoa, por isso tenho a exigência de procurar trabalhar sempre mais e melhor para estar sempre bem comigo mesma.
Angop: Como tem sido a promoção do produto Yola Semedo no mercado internacional, já que grande parte dos nossos músicos está a procura de outros mercados?
YS: Confesso que nesse aspecto sou um pouco preguiçosa, mas por alguns motivos, já que alguns projectos que tinha em curso não estavam a correr como o planificado, então senti que não estava preparada o suficiente para levar a minha música para fora, com promoção, espectáculos, entrevistas, entre outros itens que esta actividade acarreta.
Não adianta só levar a nossa música e imagem para fora do país, temos que saber como manter a mesma, porque não temos que levar só, pois muitas das vezes não nos vão ouvir a primeira e segunda vez, mas é preciso batermos constantemente para que sejamos ouvidos.
 Para esta empreitada é preciso ter mais experiência, buscar outros requisitos para tentar lançar a carreira lá fora, internacionalizar, e dar o meu melhor, para o caso de não dar certo, ter consciência de que não fui eu que falhei, mas que tentei o máximo.
Angop: O que lhe serve de inspiração para compor as suas músicas?
YS: Muito honestamente acredito que cantar foi um dom que Deus me deu, então a inspiração é algo natural. Tudo aquilo que vejo no dia-a-dia, o amor, a tristeza, o sofrimento, revolta, luta quotidiana, tudo isso me serve de inspiração.
Angop: Que avaliação faz do actual momento musical do país?
YS: Está a crescer cada vez mais, já é bem notório que estamos a chegar àquela fase em que a qualidade está a tomar conta do mercado. Nesta senda, dou um conselho a todos aqueles que queiram fazer música: não adianta só cantar por cantar, é importante estarmos ligados e envolvidos na música, fazer uma formação, já que temos escolas de música no país, é necessário formamarem-se, terem noção mínima da prática da música, que vai ajudar no que se quer fazer. É mais predominante do que ter apenas uma capa bonita, um instrumental gravado em um estúdio.  
A música tem um período de vida, porque o que vai ficar, depois deste período de vida, é aquele produto que fez com a qualidade necessária para o seu público. Se o músico não estiver preparado não vai sobreviver nos próximos tempos, onde a qualidade sobrepõem-se a quantidade. Não basta só talento, é preciso aliar esse talento a alguma formação, temos que pesquisar, informar-nos. A música está a mudar como todas as profissões do Mundo.
Se não estivermos mentalmente preparado para seguir, acabaremos por ficar para trás, a melhor forma de seguirmos a carreira musical é termos uma formação aliada ao talento.
Angop: Canta em português e inglês. Em qual das duas línguas lhe dá mais prazer cantar?
YS: Risos. Neste momento as duas línguas dão-me prazer em cantar. Quando vim da Namíbia cantava só em inglês, já que não falava muito bem o português, porque fui viver para lá muito pequena e só me comunicava, mesmo em casa, em inglês. Agora sei que tenho muitos fãs em países que falam português, para além de Angola, e já notei que tenho fãs em países que falam o inglês. As duas línguas têm que estar no meu coração para fazer um excelente trabalho em termos de composição e melodia.
Angop: Como fica o grupo Impactus 4, onde era a vocalista principal, depois de “abraçar” o projecto a solo?
YS: Os Impactus 4 continua, mas tenho que confessar que estamos um pouco preguiçosos. Sempre fui a mais rebelde do grupo, mas também sempre fui a que mais insistiu nos projectos para que fizéssemos alguns trabalhos. Acredito que dentro em breve vamos sacudir a poeira e vamos entrar no estúdio para trabalhar no nosso disco. Até porque somos uma família tradicionalmente ligada à música. Não temos como deixar de fazer música. Vamos estar no grupo até a nossa morte, independentemente de alguns projectos individuais que cada um possa ter. Este foi o legado que o nosso pai deixou para nós. É o testemunho que vamos deixar também para os nossos filhos.
Angop: Como cantora já se sente realizada?
YS: Não. Não me sinto realizada. Se eu me sentisse realizada não estava preocupada em levar o meu próximo álbum para o público. Parava de fazer música. O nosso mercado é tão grande, há espaço para todos e nós que estamos a mais tempo no mercado temos a obrigação de continuar com esta arte, para inspirar aqueles que queiram trabalhar neste ramo. Não me sinto uma mulher realizada porque não deixei o meu testemunho, não só para o meu filho, como para as pessoas que queiram fazer música e me têm como inspiração. Como projectos vou ver se sai uma escola de música, para ajudar a formar os novos talentos, aí me vou sentir realizada.
Angop: Já se vive do rendimento da música no país?
YS: Eu, graças à Deus, vivo. Não posso falar em nome de outros, mais hoje já se consegue viver do fruto desse trabalho. Como em qualquer outra profissão, se nós tivermos os nossos objectivos bem delineados conseguimos viver do fruto do trabalho.
 Angop: Gostaria que o seu filho seguisse a carreira musical?
YS: Com certeza que o meu filho vai seguir a carreira musical, até porque a música é óptima para a disciplina pessoal. A música já está no sangue do meu filho, já que a mãe e o pai lhe vão ensinar a fazer música. Ele vai estudar o que quiser, mas a música estará na sua vida como uma carreira.  
Angop: Quanto tempo mais pensa cantar?
YS: Até ao meu último suspiro. Penso cantar até não poder mais, enquanto tiver vida vou continuar a fazer aquilo que melhor sei fazer na vida: cantar.
Angop: O quelhe dá mais trabalho, preparar um álbum ou cuidar do seu filho?
YS: Risos. Boa pergunta, as duas coisas, afinal um disco também é um filho. Mas sem sombra de dúvidas que preparar um disco é muito mais difícil, já que ao trabalharmos no disco estamos a pensar num povo, num país com milhões de habitantes que apreciam a nossa música. Agora o nosso filho, o coração de mãe sabe como cuidar, tem uma química, o amor fala por si, e tens que fazer só para ti e para ele. O disco tem que ser feito a pensar em outros, nos críticos, trabalhar para agradar a gregos e troianos, mas sabemos que é difícil agradar a todos.
Quem é Yola Semedo?
Yola Moutofa Coimbra Semedo, nascida no município do Lobito, província de Benguela, iniciou a sua carreira musical em 1984, como vocalista do grupo Impactus 4 (formada por seus irmãos).
Conquistou o prémio de “Voz de Ouro de África” (1995), em representação de Angola no festival organizado pela Unesco, na Bulgária, e foi considerada a melhor voz feminina de Angola, por três vezes consecutivas (2000, 2006, 2007).
Ganhou o prémio de "Balada do ano (2006)" e de "Melhor intérprete feminina", por duas vezes (2006 e 2007), "Diva do ano", em 2007 e 2008, e conquistou a edição 2010 do "Top dos Mais Queridos", uma realização da Rádio Nacional de Angola.
Tem ainda no mercado "Diário de Memorias" e o Dvd 25 anos de carreira.

Fonte: ANGOP