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LOUCO SERÃO

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LOUCO SERÃO

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No japão, 189 pessoas morreram por excesso de trabalho o ano passado

Apesar de os números oficiais apontarem para 189 mortes, especialistas dizem que o número real deverá ascender a vários milhares.

Só no ano passado, morreram 189 pessoas devido a fadiga laboral no Japão. Trata-se de um fenómeno tão comum que até há um termo para o descrever: karoshi, ou seja, a morte por trabalho excessivo. 

Em 2014, o governo japonês lançou algumas medidas para tentar combater esta causa de morte, mas sem sucesso. Os números oficiais do Ministério do Trabalho japonês apontam para 189 mortes, incluindo suicídios, devido a excesso de trabalho. Especialistas, contudo, apontam para números reais muito maiores, na ordem dos milhares. 

Apesar de agora se estar a registar uma subida nos números, o problema do karoshi já terá sido pior. As décadas de 70 e 80, lembra o El Mundo, ficaram marcadas pelo boom económico japonês. Nesse tempo, estima-se que cerca de 10 mil pessoas morriam anualmente devido ao excesso de trabalho, embora não haja números oficiais relativos a este período. 

Vários fatores contribuem para este problema. Primeiro, a legislação, que permite que, através de um acordo entre funcionários e patrões, se possam fazer horas extraordinárias sem nenhum tipo de limite. 

Por outro lado, a própria mentalidade japonesa privilegia o trabalho. A norma social no Japão estipula que os trabalhadores dêem prioridade às suas responsabilidades laborais, acima da família ou das obrigações comunitárias. 

A Watami Foodservice, uma cadeia de restaurantes, é um dos casos mais conhecidos pelo karoshi. Pelo segundo ano consecutivo, a companhia foi a vencedora do “Prémio para as Empresas Negras”, atribuído por um grupo de jornalistas, ativistas e professores universitários às piores empresas do país. A cadeia de restaurantes reuniu 72% dos votos dos especialistas, que analisaram critérios como excesso de horas de trabalho, abusos de poder, salários baixos, hostilidade em relação aos sindicatos, a recusa em pagar horas extraordinárias ou a arbitrariedade em relação aos funcionários temporários. 

Depois de, em 2008, uma funcionária da Watami Foodservice, Mina Mori, de 26 anos, se ter suicidado, a companhia nunca mais se livrou da fama. Mina tinha trabalhado durante dois meses a fazer 140 horas extraordinárias por mês. A empresa recusou encontrar-se com os pais e pedir-lhes perdão, até dezembro de 2012, altura em que pagou à família uma indemnização de 1.079.908,47 USD.